Edith Head – biografia

O figurino dos filmes costuma ter destaque em revistas de moda, porém, é pouco valorizado como um elemento cinematográfico. De fato, não é a função mais valorizada no cinema (principalmente quando se compara com direção de fotografia, por exemplo). Entretanto, ele foi fundamental para transformar algumas das mais importantes estrelas de Hollywood em mitos do cinema. E a principal responsável por isso foi Edith Head.

Edith Head foi a mais importante figurinista de Hollywood e, do mundo. Até hoje, ela é considerada a maior pelos figurinos marcantes, filmes clássicos e pelas atrizes que vestiu. Por isso, se tornou a mulher que mais recebeu Oscars (um total de 8 estatuetas).

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Nascida na California, em 1897, Head se formou em francês e começou a trabalhar como professora de francês na Hollywood School for Girls (Escola de Hollywood para Garotas). Para conseguir um aumento, ela também passou a dar aulas de arte, mesmo não tendo nenhuma instrução na área. Em 1923, Edith se casou com Charles Head, de quem adotou o último nome.

Em 1924, Head conseguiu um emprego de figurinista na Paramount. Na época, ela não tinha nenhuma experiência e não sabia nada de design. Para a entrevista, Edith levou um portfólio com seus croquis e de seus alunos. E isso bastou para que ela ficasse com a vaga.

A princípio, Head trabalhava como assistente de figurinistas mais importantes do estúdio, como Howard Greer e Travis Banton. Em 1937, no filme The Hurricane, Edith criou um vestido sarongue para atriz Dorothy Lamour, o que trouxe reconhecimento do público para o trabalho de Edith. Em 1938, com a saída de Banton, Head ficou com o posto de Head Designer e se tornou a principal figurinista da Paramount. Alguns anos depois ela se tornaria a principal figurinista do mundo.

edith03O vestido saronge de Dorothy Lamour em The Hurricane.

Enquanto trabalhava pela Paramount, Head se divorciou de Charles Head. O marido se foi, mas o nome ficou. Dois anos depois, casou-se com o cenógrafo Wiard Ihnen com quem ficaria até 1974, quando ele morreu de câncer.

Edith Head ficou famosa por várias motivos. Ela se empenhava em fazer um figurino que dialogasse com o filme. Conseguia entender a alma do personagem e passar sua interpretação para o figurino. Usando o figurino como uma forma de caracterização para que o público entendesse quem é aquele personagem. Seu objetivo não era fazer o vestido se sobressair, mas sim, ajudar a contar a história do filme. Os diretores adoravam isso.

Além disso, os figurinos de Edith Head conseguiam esconder os defeitos e acentuar as qualidades de quem os vestia. Por isso, ela ganhou o apelido “Dress Doctor” (“Doutora de Vestidos”) e se tornou a queridinha das atrizes mais bonitas de Hollywood, que faziam questão de usar as criações de Edith Head. Mesmo contratada pela Paramount, Edith trabalhou em produções de outros estúdios, a pedido dessas estrelas.

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Créditos: UCLA Library

Naquela época, o figurinista não necessariamente cuidava de todo o figurino do filme. Algumas vezes o trabalho se delimitava aos vestidos da estrela do filme. Edith era craque em deixá-las ainda mais deslumbrantes.

Quando a categoria “Melhor Figurino” foi criada no Oscar, em 1948, Edith logo foi indicada pelo filme A Valsa do Imperador (“The Emperor Waltz”). Aquela não foi a única vez. Pelo contrário, Head foi indicada todos os anos de 1948 a 1966. E alguns anos depois disso também. Ao todo foram 35 indicações, tendo vencido oito delas. Por isso, Head é a mulher que ganhou mais Oscars em toda história da Academia.

Head deixou a Paramount pela Universal em 1967. Nessa época, os estúdios começavam a perder sua força e um novo sistema, mais livre e inspirado na Nouvelle Vague, começava a tomar conta do cinema americano. Além disso, as atrizes de sua época já não estavam mais trabalhando tanto, e Head começou a fazer figurinos para televisão. Mesmo sem o glamour das décadas de 30, 40 e 50, as produções de Edith foram reconhecidas.  Ela ainda foi convidada para desenhar o uniforme feminino da guarda costeira americana, uma honra para a figurinista.

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Um dos mais icônicos figurinos de Edith Head: o vestido de Grace Kelly em Janela Indiscreta (“Rear Window”)

Edith Head trabalhou até sua morte, em 1981. O último Oscar que recebeu foi em 1974 pelo figurino de Um Golpe de Mestre (“The Sting”). E seu último trabalho foi Cliente Morto Não Paga (“Dead Men Don’t Wear Plaid”), uma homenagem ao cinema clássico hollywoodiano. O filme é uma paródia com estética de film noir estrelada por Steve Martin que brinca com imagens do gênero, editadas para contarem a história do filme.

Durante todos esses anos, o visual de Edith Head era sua marca registrada. Ela estava sempre com os cabelos pretos presos, franja e óculos redondos de graus ou escuros. No filme Os Incríveis (“The Incredibles”), a personagem Edna Mode, responsável pelas roupas dos super-heróis foi inspirada em Edith Head.

edith02Mesmo com pouco reconhecimento na área do figurino, Edith Head é uma das lendas da era de ouro do cinema americano. Foi uma das maiores contribuidoras para o glamour quer marcou os filmes da época, e, principalmente, foi capaz de fazer das atrizes que vestia, ícones de elegância e estilo. A importância de Head a tornou tão célebre quanto as estrelas que vestiu.

Créditos:

Wikipedia

Best Of Dress – Happy Birthday Edith Head

The Hurricane – Direção: John Ford e Stuart Heisler, 1937, EUA.

A Valsa do Imperador (“The Emperor Waltz”) – Direção: Billy Wilder, 1948, EUA.

Janela Indiscreta (“Rear Window”) – Direção: Alfred Hitchcock, 1954, EUA.

Cliente Morto Não Paga (“Dead Men Don’t Wear Plaid”) – Direção: Carl Reiner, 1982, EUA.

Os Incríveis (“The Incredibles”) – Direção: Brad Bird, 2004, EUA.

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