Bette Davis X Joan Crawford

Diz a lenda que duas das maiores atrizes de Hollywood, Bette Davis e Joan Crawford se odiavam.

 babyjane04Créditos: Fanpop.

Joan Crawford nasceu em 1905, começou a carreira como dançarina, e logo estreiou no cinema. Alcançou o status de “estrela de cinema” nos anos 30. Bette Davis nasceu em 1908. Começou a atuar no teatro, em algumas produções da Broadway. Em 1932, iníciou sua carreira no cinema.

joan05Joan Crawford. Créditos: DVD Beaver.

 Bette tinha fama de ser difícil de se relacionar nos sets e era famosa por seus comentários ácidos. Além disso, era vista como uma mulher forte, por ser, uma das poucas atrizes que tinham o respeito dos estúdios para escolher seus próprios filmes. Joan ficou conhecida por ser a personificação do glamour de Hollywood. Uma atriz linda, sempre muito bem vestida e elegante. Por isso, Bette Davis uma vez disse: “Ela se tornou uma estrela do cinema, e eu me tornei uma grande atriz.” (“She became a movie star, and I became the great actress.”).

Bette Davis - by George Hurrell 1940 - The LetterBette Davis. Créditos: DVD Beaver.

Em 1940, Joan e Bette eram atrizes respeitadas e costumavam interpretar grandes heroínas. Para Hollywood, as duas tinham um perfil semelhante,
Em 1945, Joan Crawford ganhou o seu primeiro e único Oscar de “Melhor Atriz” pelo filme Almas em Suplício (“Mildred Pierce”). Ela queria muito fazer a protagonista do filme, mas o papel foi, inicialmente, oferecido a Davis, que o negou para fazer O Coração Não Envelhece (“The Corn Is Green”), inspirado em uma peça da Broadway. O mesmo aconteceu dois anos depois, Bette não trabalhou em Fogueira de Paixão (“Possessed”) porque tinha acabado de dar a luz a sua primeira filha, e assim, Joan Crawford acabou fazendo a protagonista no lugar de Davis.
É claro que elas não gostavam de ser comparadas, então Bette declarou: Nós somos dois tipos totalmente diferentes. “Eu não consigo imaginar nenhum papel que eu fiz que Joan pudesse fazer. Nenhum. Você consegue?” (“We were two different types entirely. I can’t think of a single part I played that Joan could do. Not one. Can you?”)

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Joan Crawford em Almas em Suplício (“Mildred Pierce”). Créditos:
DVD Beaver.

Em 1950, queriam que Bette e Joan trabalhassem juntas no filme À Margem da Vida (“Caged”), mas Bette teria se negado dizendo que jamais aparecia num filme “de lésbicas”.

Bette protagonizou o filme Lágrimas Amargas (“The Star”), em 1952, em que interpreta uma ex-grande atriz, que agora está decadente, sem trabalho e sem seu antigo status. Bette declarou que teria se inspirado em Joan Crawford e no glamour que ela insistia carregar. Joan teria se defendido dizendo: É claro que eu ouvi dizer que ela supostamente estaria me interpretando, mas eu não acreditei. Você viu o filme? Não poderia ser eu. Bette parecia velha demais e terrivelmente acima do peso”. (“Of course I had heard she was supposed to be playing me, but I didn’t believe it. Did you see the picture? It couldn’t possibly be me. Bette looked so old, and so dreadfully overweight.”)

starbetteBette Davis em Lágrimas Amargas (“The Star”). Créditos: Fanpop.

 Com a chegada dos anos 60, as duas estavam mais velhas, suas carreiras estagnadas sem nenhum filme de grande sucesso. Foi então que surgiu uma oportunidade: o filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (“What Ever Happened to Baby Jane?”), um thriller psicológico dirigido por Robert Aldrich. O diretor convidou Crawford para um dos papéis principais, e ela apresentou o projeto Bette Davis. Davis, então, teria feito duas perguntas cruciais ao diretor para aceitar o trabalho:
1- Ela seria Baby Jane?
2- Ele estava de caso com Crawford?
As respostas foram “Sim” e “Não”, respectivamente, então Bette Davis estava dentro.

babyjane01Bette e Joan em O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (“What Ever Happened to Baby Jane?”). Créditos: DVD Beaver.

O Que Terá Acontecido a Baby Jane? conta a história de Baby Jane (Bette Davis), uma ex-estrela infantil envelhecida, psicótica e decadente que aterroriza sua irmã Blanche (Crawford), também uma ex-atriz de sucesso que agora está numa cadeira de rodas.
Apesar da rivalidade fora das telas, as duas divas entendiam a importância do filme para suas carreiras e, de acordo com o diretor, se comportaram de forma profissional no set. Ou quase. É sabido que, durante as filmagens, elas aproveitaram a relação conturbada entre suas personagens para se “torturarem” fora da ficção.
Joan Crawford mandava presentes e bilhetes para “conquistar” a equipe, e Bette, irritada, teria enviado um bilhete a ela dizendo que “parasse com aquela porcaria” (“Get Off The Crap“).
As duas falavam mal uma da outra para o diretor, no final do dia. Bette Davis também se referia a Joan como “vadia falsa”, mesmo se ela escutasse.

Em uma determinada cena, Bette tinha que dar bater em Joan, que ficou com medo que ela a machucasse de verdade, então pediu uma dublê. Entretanto, para um close-up, Joan teve que fazer. Quando Bette bateu, Joan gritou e a filmagem parou. Bette tentou se justificar: “Eu mal toquei nela” (“I barely touched her“).

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Créditos:
DVD Beaver.

 Depois, em uma cena em que Bette carrega e arrasta Joan, ela se vingou. Joan sabia dos problemas na coluna de Bette, então fez de forma que ficasse mais pesada o possível, provavelmente usando pesos escondidos no seu coprpo. Aproveitou para atrapalhar a cena o máximo possível, e vários takes tiveram que ser feitos. Bette, ao final disso, teria ficado alguns dias sem retornar ao set, cuidando da coluna.
Sobre esse episódio, Joan comentou: “Pesos! E deixar Bette contar a todos que eu era pesada como um elefante. De jeito nenhum. Eu posso não ter facilitado para ela me carregar fora da cama, como eu poderia, pelo menos no começo, mas quando você é profissional, você supera qualquer animosidade que possa sentir e ajuda seu colega.” (“Weights! And have Bette tell everyone I was as heavy as an elephant. Absolutely not. I may not have made it as easy for her to lift me out of the bed as I could have, at least at first, but when you’re a pro you get over any animosity you may feel and help your fellow player out.”)

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Créditos: DVD Beaver.

Davis e Crawford tiveram um salário considerado baixo, porém, tinham uma porcentagem do lucro dos filmes, que acabou sendo um sucesso de público e crítica. Os boatos da implicância entre as protagonistas foram ótimos para a publicidade do filme. As duas receberam elogios pelas performances e foram indicadas a alguns prêmios. Entretanto, somente Bette foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Joan não. E esse foi, provavelmente, o evento que mais marcou a rivalidade entre elas.

Chateada por não ter sido indicada, Joan contactou as outras atrizes que concorriam na mesma categoria e se ofereceu para aceitar o prêmio, caso elas não pudessem ir a cerimônia naquele ano.
Na hora de anunciar a vencedora, Joan e Bette estavam juntas nos bastidores. Davis era a favorita, então ela já tinha entregado seu cigarro e a bolsa para um amigo segurar, quando fosse receber o prêmio. Entretanto, a vencedora foi Anne Bancroft, que não pôde comparecer. Joan teria dito a Bette: “Com licença” e foi até o palco, sorrindo, triunfante, aceitar o prêmio que Bette perdeu.
É claro que Davis ficou furiosa e acusou Joan de ter conspirado com os membros da Academia para que ela não ganhasse.
O vídeo abaixo mostra a satisfação de Joan ao buscar o Oscar por Anne Bancroft.

Durante toda carreira, os jornalistas sempre perguntavam para as duas como foi trabalhar com a inimiga, e elas não perdiam a chance de se alfinetar. Uma vez, Bette teria dito: “O melhor momento que tive com Joan Crawford foi quando a empurrei escada a baixo em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?(“The best time I ever had with Joan Crawford was when I pushed her down the stairs in Whatever Happened to Baby Jane?”). E Joan alegou “Claro, ela roubou alguma das minhas maiores cenas, mas o engraçado é que, quando você assiste ao filme de novo, ela as roubou porque ela parecia uma paródia de si mesma, e eu ainda tinha algo de uma estrela.” (“Sure, she stole some of my big scenes, but the funny thing is, when I see the movie again, she stole them because she looked like a parody of herself, and I still looked like something of a star.”)

babyjane05Créditos: Fanpop.


No ano seguinte, Robert Aldrich propôs a Crawford e Davis que elas voltassem a trabalhar juntas em outro thrilles dirigido por ele Com a Maldade Na Alma (“Hush… Hush, Sweet Charlotte”). Surpreendentemente, elas aceitaram, mas, devido as provocações de Bette, Joan teria sido internada e foi substituída pela atriz Olivia de Havilland. Quando ficou sabendo disso, Crawford disse: “Eu ouvi a notícia sobre a minha substituição no rádio, deitada na cama do hospital… Eu chorei por nove horas”(“I heard the news of my replacement over the radio, lying in my hospital bed” … I cried for 9 hours.”)

hushhushBette Davis emCom a Maldade Na Alma (“Hush… Hush, Sweet Charlotte”). Créditos: DVD Beaver.

Em 1977, Joan Crawford morreu. Alguns anos depois, sua filha adotiva lançou um livro que revelava os maltratos e abusos que sofreu da mãe. Um filme sobre a relação das duas foi feito, com Faye Dunaway como Crawford, chamado Mamãezinha querida (“Mommy Dearest”) (veja mais nesse post). Quando Joan morreu, Bette disse: “Não se deve falar mal dos mortos, somente bem. Ela está morta… Bom. (You should never say bad things about the dead, you should only say good . . . Joan Crawford is dead. Good.”). Bette morreu em 1989.

joanebetteCréditos: Fanpop.

 

Almas em Suplício (“Mildred Pierce”) – Direção: Michael Curtiz. 1945. EUA.

O Coração Não Envelhece (“The Corn Is Green”) – Direção: Irvin Rapper. 1945. EUA.

Fogueira de Paixão (“Possessed”) – Direção: Curtis Bernhardt. 1947. EUA.

À Margem da Vida (“Caged”) – Direção: John Cromwell. 1950. EUA.

Lágrimas Amargas (“The Star”) – Direção: Stuart Heisler. 1952. EUA.

O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (“What Ever Happened to Baby Jane?”) – Direção: Robert Aldrich. 1962. EUA.

Com a Maldade Na Alma (“Hush… Hush, Sweet Charlotte”) – Direção: Robert Aldrich. 1964. EUA.

Mamãezinha querida (“Mommy Dearest”) – Direção: Frank Perry, 1981, EUA.

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