Grace Kelly

Grace Kelly – Persona – parte 2

Continuando o post sobre a persona de Grace Kelly, um pouco sobre sua filmografia e personagens.

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Grace Kelly em Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”). Créditos: Clothes on Film.

Grace foi a loira número um do diretor Alfred Hitchcock, com quem trabalhou nos filmes Janela Indiscreta (“Rear Window”), Disque M para Matar (“Dial M for Murder”) e Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”).
Em Janela Indiscreta, apesar de ser uma socialite e modelo que frequenta importantes eventos sociais de Nova Iorque (e se veste muito bem), a personagem de Grace Kelly faz companhia para o noivo, um fotógrafo, que está com a perna quebrada. Ele acredita ter testemunhado um assassinato, e ela embarca nessa obsessão, arriscando sua vida ao entrar no apartamento onde o homicídio teria ocorrido, para descobrir o que aconteceu. Tudo isso pela emoção do perigo.

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Grace Kelly em Janela Indiscreta (“Rear Window”). Créditos: DVD Beaver.

No filme Disque M para Matar, Grace interpreta uma mulher casada herdeira de uma grande fortuna que teve um caso no passado e está apaixonada por outra pessoa. Ao descobrir a traição, o marido arma um plano para matá-la e ela luta com todas as forças contra seu assassino.

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Em Disque M para Matar (“Dial M for Murder”). Créditos: DVD Beaver.

Já em Ladrão de Casaca, sua personagem é uma jovem rica e entediada de férias com sua mãe. Ela conhece um famoso ex-ladrão de jóias e tenta convencê-lo de tê-la como cúmplice. Ela quer uma vida mais emocionante e menos previsível, e acha que o ladrão é sua chance. A personagem o seduz, o beija, o desmascara, ou seja, ela é uma mulher ativa diante de sua sexualidade. Além disso, a adrenalina do roubo lhe atrai e em uma cena, ela dirige seu carro em alta velocidade em um desfiladeiro.

grace04Grace Kelly em Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”). Créditos: DVD Beaver.

Nos outros filmes que fez, a persona se mantém. Em Matar ou Morrer (“High Noon”), Grace está recém-casada com Gary Cooper, o xerife da cidade, e espera sair dali com ele antes de um bandido perigoso voltar. Ela interpreta uma mulher rica que vai para a África com o marido cineasta filmar um documentário sobre gorilas, em Mogambo. Lá, ela conhece um caçador e vive um romance proibido com ele. Em Alta Sociedade (“High Society”), Grace é uma mulher da alta sociedade que está noiva, mas seu ex-marido, um músico de Jazz interpretado por Bing Crosby quer reconquistá-la. Interpretou ainda uma princesa em O Cisne (“The Swan”), a dona de uma fazenda de café em Tentação Verde (“Green Fire”), e a esposa de um ex-oficial da Marinha no filme As Pontes de Toko-Ri (“The Bridges of Toko-Ri”), sempre envolvidas em algum romance.

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 Com Frank Sinatra em Alta Sociedade (“High Society”). Créditos: Everything Monaco.

Grace teve uma chance de mostrar um lado mais versátil no filme Amar é Sofrer (“The Country Girl”). Ela interpreta uma mulher fria e infeliz casada com um astro decadente e alcóolatra. Por esse papel, Grace recebeu o Oscar de “Melhor Atriz”, ganhando de Judy Garland, por Nasce Uma Estrela (“A Star Is Born”), o que muitos consideraram uma grande injustiça.

 

Trecho de Janela Indiscreta (“Rear Window”).

Quatorze Horas (“Fourteen Hours”) – Direção: Henry Hathaway, 1951, EUA.

Matar ou Morrer (“High Noon”) – Direção: Fred Zinnemann, 1951, EUA.

Janela Indiscreta (“Rear Window”) – Direção: Alfred Hitchcock, 1954, EUA.

Disque M para Matar (“Dial M for Murder”) – Direção: Alfred Hitchcock, 1954, EUA.

Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”) – Direção: Alfred Hitchcock, 1955, EUA.

Mogambo – Direção: John Ford, 1953, EUA.

Alta Sociedade (“High Society”) – Direção: Charles Walters, 1956, EUA.

O Cisne (“The Swan”) – Direção: Charles Vidor, 1956, EUA.

Tentação Verde (“Green Fire”) – Direção: Andrew Marton, 1954, EUA.

As Pontes de Toko-Ri (“The Bridges of Toko-Ri”) – Direção: Mark Robson, 1954, EUA.

Amar é Sofrer (“The Country Girl”) – Direção: George Seaton, 1954, EUA.

Grace: A Princesa de Mônaco (“Grace of Monaco”) – Direção: Olivier Dahan, 2014, EUA.

Nasce Uma Estrela (“A Star Is Born”) – Direção: George Cukor, 1954, EUA.

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Grace Kelly – Persona – parte 1

grace12Créditos: Everything Monaco

Alguns atores – principalmente os do período clássico e pré-clássico – eram associados a um determinado tipo de personagem, uma persona criada pelo estúdio nos filmes e nas matérias publicitárias. Marilyn Monroe era a loira burra e sensual e Humprhey Bogart, o detetive durão. Os atores, de vez em quando, podiam fazer personagens fora do estereótipo. Mas, muitas vezes, isso significava no fracasso do filme, já que o público adorava ver as personas nas telas.
Nesse post, vamos falar sobre a persona de Grace Kelly. Embora a atriz tenha tido pouco tempo de carreira, ela se destacou nos filmes em que trabalhou e é uma das maiores lendas do cinema, além de ser até hoje considerada uma das mulheres mais belas e elegantes do mundo. Se tornou a musa de Hitchcock e ganhou diversos prêmios pelas suas interpretações. Até que se casou com Princípe Rainier III de Mônaco e abandonou Hollywood.

grace13Grace Kelly em Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”). Créditos: DVD Beaver.

BIOGRAFIA
Assim como a maioria de suas personagens, Grace era de uma família abastada. Passou sua infância e adolescência estudando em colégios católicos para meninas ricas. Quando completou 18 anos, foi estudar teatro na Academia Americana de Artes Dramáticas.

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Créditos: Everything Monaco

Durante esse tempo, Grace trabalhou em algumas peças teatrais e programas de TV, até que ela ganhou uma participação no filme Fourteen Hours. Embora não tenha tido muito destaque com o filme, Grace foi chamada para seu próximo longa Matar ou Morrer (“High Noon”), um faroeste estrelado por Gary Cooper. A personagem era uma moça de família e muito decente, que tinha acabado de casar com um dos homens mais importantes da cidade: o xerife, interpretado por Cooper. O papel lhe rendeu um contrato com o estúdio MGM e Grace se tornou uma estrela.

grace07No filme Matar ou Morrer (“High Noon”). Créditos: DVD Beaver.

PERSONA
Por conta da riqueza de sua família, o estúdio criou uma persona condizente com sua biografia. Suas personagens eram mulheres sofisticadas, pertencentes a alta sociedade e que tinham muita classe. Se vestiam de forma elegante e sempre feminina. Em 1950, a moda era usar saias rodadas, referentes ao estilo ladylike, e Grace foi uma das responsáveis por propagar essa tendência para o mundo. Além disso, seu cabelo loiro, bem penteado e brilhoso, sua pele branca e macia, seus olhos claros faziam dela o ideal de beleza americana. Fora das telas, a persona se mantinha, já que a publicidade em torno da atriz sempre mencionava sua família rica, sua beleza e pouco falava dos romances da atriz, que era discreta em relação a sua vida pessoal. Na ficção e na realidade, Grace Kelly era uma dama com traços de aristocracia.
Entretanto, apesar de serem moças finas e respeitadas, as personagens da atriz gostavam de se divertir, e, nem sempre, seguiam as regras. Mulheres ligadas aos valores morais da sociedade, porém contemporâneas, inteligentes, capazes, demonstrando atitude e iniciativa (inclusive romanticamente), sem perder a elegância. Grace Kelly tinha a capacidade de ser pura e sexy, ao mesmo tempo, na tela.

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Ao lado de James Stewart em Janela Indiscreta (“Rear Window). Créditos: Clothes on Film.

Uma curiosidade é que, na maior parte dos filmes em que trabalhou, seus pares românticos eram homens muito mais velhos do que ela, como William Holden (11 anos mais velho), Cary Grant (25 anos mais velho), Clark Gable (28 anos mais velho), James Stewart (21 anos mais velho), dentre outros.

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Seduzindo Cary Grant em Ladrão de Casaca (“To Catch A Thief”). Créditos: DVD Beaver.

Grace abandonou Hollywood para se casar com o princípe Ranier III, em 1956. A persona de Grace Kelly tinha tudo para se tornar uma princesa, e sua coroação foi um evento natural. Afinal, ela já fazia parte da realeza de Hollywood, e, até hoje, é a atriz mais sofisticada que o Cinema já viu. Morreu em 1982, como a Princesa de Mônaco, casada com o princípe e mãe de três filhos. Em breve será lançado o filme Grace: A Princesa de Mônaco (“Grace of Monaco”), com Nicole Kidman interpretando a atriz e princesa durante seu reinado em Mônaco.

grace08Grace Kelly em seu casamento. Créditos: Grace and Family

 Morreu em 1982, como a Princesa de Mônaco, casada com o princípe e mãe de três filhos. Em breve será lançado o filme Grace: A Princesa de Mônaco (“Grace of Monaco”), com Nicole Kidman interpretando a atriz e princesa durante seu reinado em Mônaco.

grace11Grace Kelly em seu casamento. Créditos: Grace and Family.

Continuação no próximo post.

Edith Head – biografia

O figurino dos filmes costuma ter destaque em revistas de moda, porém, é pouco valorizado como um elemento cinematográfico. De fato, não é a função mais valorizada no cinema (principalmente quando se compara com direção de fotografia, por exemplo). Entretanto, ele foi fundamental para transformar algumas das mais importantes estrelas de Hollywood em mitos do cinema. E a principal responsável por isso foi Edith Head.

Edith Head foi a mais importante figurinista de Hollywood e, do mundo. Até hoje, ela é considerada a maior pelos figurinos marcantes, filmes clássicos e pelas atrizes que vestiu. Por isso, se tornou a mulher que mais recebeu Oscars (um total de 8 estatuetas).

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Nascida na California, em 1897, Head se formou em francês e começou a trabalhar como professora de francês na Hollywood School for Girls (Escola de Hollywood para Garotas). Para conseguir um aumento, ela também passou a dar aulas de arte, mesmo não tendo nenhuma instrução na área. Em 1923, Edith se casou com Charles Head, de quem adotou o último nome.

Em 1924, Head conseguiu um emprego de figurinista na Paramount. Na época, ela não tinha nenhuma experiência e não sabia nada de design. Para a entrevista, Edith levou um portfólio com seus croquis e de seus alunos. E isso bastou para que ela ficasse com a vaga.

A princípio, Head trabalhava como assistente de figurinistas mais importantes do estúdio, como Howard Greer e Travis Banton. Em 1937, no filme The Hurricane, Edith criou um vestido sarongue para atriz Dorothy Lamour, o que trouxe reconhecimento do público para o trabalho de Edith. Em 1938, com a saída de Banton, Head ficou com o posto de Head Designer e se tornou a principal figurinista da Paramount. Alguns anos depois ela se tornaria a principal figurinista do mundo.

edith03O vestido saronge de Dorothy Lamour em The Hurricane.

Enquanto trabalhava pela Paramount, Head se divorciou de Charles Head. O marido se foi, mas o nome ficou. Dois anos depois, casou-se com o cenógrafo Wiard Ihnen com quem ficaria até 1974, quando ele morreu de câncer.

Edith Head ficou famosa por várias motivos. Ela se empenhava em fazer um figurino que dialogasse com o filme. Conseguia entender a alma do personagem e passar sua interpretação para o figurino. Usando o figurino como uma forma de caracterização para que o público entendesse quem é aquele personagem. Seu objetivo não era fazer o vestido se sobressair, mas sim, ajudar a contar a história do filme. Os diretores adoravam isso.

Além disso, os figurinos de Edith Head conseguiam esconder os defeitos e acentuar as qualidades de quem os vestia. Por isso, ela ganhou o apelido “Dress Doctor” (“Doutora de Vestidos”) e se tornou a queridinha das atrizes mais bonitas de Hollywood, que faziam questão de usar as criações de Edith Head. Mesmo contratada pela Paramount, Edith trabalhou em produções de outros estúdios, a pedido dessas estrelas.

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Créditos: UCLA Library

Naquela época, o figurinista não necessariamente cuidava de todo o figurino do filme. Algumas vezes o trabalho se delimitava aos vestidos da estrela do filme. Edith era craque em deixá-las ainda mais deslumbrantes.

Quando a categoria “Melhor Figurino” foi criada no Oscar, em 1948, Edith logo foi indicada pelo filme A Valsa do Imperador (“The Emperor Waltz”). Aquela não foi a única vez. Pelo contrário, Head foi indicada todos os anos de 1948 a 1966. E alguns anos depois disso também. Ao todo foram 35 indicações, tendo vencido oito delas. Por isso, Head é a mulher que ganhou mais Oscars em toda história da Academia.

Head deixou a Paramount pela Universal em 1967. Nessa época, os estúdios começavam a perder sua força e um novo sistema, mais livre e inspirado na Nouvelle Vague, começava a tomar conta do cinema americano. Além disso, as atrizes de sua época já não estavam mais trabalhando tanto, e Head começou a fazer figurinos para televisão. Mesmo sem o glamour das décadas de 30, 40 e 50, as produções de Edith foram reconhecidas.  Ela ainda foi convidada para desenhar o uniforme feminino da guarda costeira americana, uma honra para a figurinista.

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Um dos mais icônicos figurinos de Edith Head: o vestido de Grace Kelly em Janela Indiscreta (“Rear Window”)

Edith Head trabalhou até sua morte, em 1981. O último Oscar que recebeu foi em 1974 pelo figurino de Um Golpe de Mestre (“The Sting”). E seu último trabalho foi Cliente Morto Não Paga (“Dead Men Don’t Wear Plaid”), uma homenagem ao cinema clássico hollywoodiano. O filme é uma paródia com estética de film noir estrelada por Steve Martin que brinca com imagens do gênero, editadas para contarem a história do filme.

Durante todos esses anos, o visual de Edith Head era sua marca registrada. Ela estava sempre com os cabelos pretos presos, franja e óculos redondos de graus ou escuros. No filme Os Incríveis (“The Incredibles”), a personagem Edna Mode, responsável pelas roupas dos super-heróis foi inspirada em Edith Head.

edith02Mesmo com pouco reconhecimento na área do figurino, Edith Head é uma das lendas da era de ouro do cinema americano. Foi uma das maiores contribuidoras para o glamour quer marcou os filmes da época, e, principalmente, foi capaz de fazer das atrizes que vestia, ícones de elegância e estilo. A importância de Head a tornou tão célebre quanto as estrelas que vestiu.

Créditos:

Wikipedia

Best Of Dress – Happy Birthday Edith Head

The Hurricane – Direção: John Ford e Stuart Heisler, 1937, EUA.

A Valsa do Imperador (“The Emperor Waltz”) – Direção: Billy Wilder, 1948, EUA.

Janela Indiscreta (“Rear Window”) – Direção: Alfred Hitchcock, 1954, EUA.

Cliente Morto Não Paga (“Dead Men Don’t Wear Plaid”) – Direção: Carl Reiner, 1982, EUA.

Os Incríveis (“The Incredibles”) – Direção: Brad Bird, 2004, EUA.